09 / 01 / 2017
Médicos denunciam péssimas condições de UPAs da Baixada
O CREMERJ recebeu nessa quinta-feira, 5, médicos das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) de Duque de Caxias, Nova Iguaçu e Magé para falar sobre as péssimas condições de trabalho e a redução das equipes nas unidades. Eles foram recebidos pelo vice-presidente do CRM Nelson Nahon e pelo conselheiro Gil Simões.
 
Segundo a denúncia, a Organização Social Instituto Data Rio, que administra as unidades, cortou pessoal essa semana. Com a mudança, as UPAs terão apenas um pediatra e dois clínicos por plantão. A equipe ficará responsável pelos atendimentos de emergência, além das salas amarelas e vermelha e possíveis transferências de pacientes em ambulância. Se o único pediatra no plantão precisar acompanhar uma transferência, a unidade ficará sem atendimento pediátrico. Os médicos também relataram que os salários estão atrasados desde novembro e ainda não receberam o 13º.
 
Além disso, os problemas atingem as condições de higiene e o estoque de remédios. Segundo os médicos, faltam medicamentos e insumos básicos, os banheiros estão precários, falta água e os quartos estão sempre sujos.
 
"Trabalhamos no limite do estresse e sem condições básicas. Somos completamente atingidos, mas a mais prejudicada é a população. Muitas vezes estamos sujeitos a agressões físicas, pois muitas pessoas não entendem que as condições da UPA não são uma responsabilidade nossa", disse um dos médicos.

Durante a reunião, Nelson Nahon criticou a portaria do Ministério da Saúde, publicada nessa quarta-feira, 4, que redefine o modelo assistencial e de financiamento das UPAs em todo o Brasil. Ele enfatizou a redução no número mínimo de médicos necessários para o funcionamento dessas unidades se trata de uma medida econômico-financeira, que legaliza a redução de material e a defasagem no atendimento.
 
"Estão legalizando uma medida que é um verdadeiro crime contra a população. Isso vai aumentar o alto risco de atendimento e colocar os profissionais em uma pressão violenta, piorando a sobrecarga de trabalho já existente. Orientamos os médicos que todos os casos que aconteçam sejam relatados nos prontuários dos pacientes e encaminhados para o Conselho para que possamos tomar as medidas legais", declarou.
 
O CREMERJ denunciará a situação dos médicos ao Ministério do Trabalho e ao Ministério Público, por meio da Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva da Saúde, e tomará outras medidas para que se cumpra o Código de Ética Médica.