13 / 01 / 2017
CREMERJ participa de manifestação em prol do Pedro Ernesto
Professores, alunos, residentes e funcionários da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) realizaram nesta quinta-feira, 12, uma manifestação contra os atrasos dos pagamentos e dos repasses de verbas, que têm afetado as atividades acadêmicas e os atendimentos do Hospital Universitário Pedro Ernesto (Hupe). Sem recursos de custeio desde agosto, a reitoria da Uerj anunciou esta semana a possibilidade de interromper as atividades na universidade e no hospital. O presidente do CREMERJ, Pablo Vazquez, participou do protesto.

Os manifestantes reivindicaram os pagamentos de novembro, dezembro e do 13º dos funcionários, além do repasse de bolsas e auxílios para pesquisas. De acordo com o vice-presidente da Associação dos Médicos Residentes do Estado do Rio de Janeiro (Amererj), Vitor Alvarenga, o Hupe vem enfrentando um fechamento gradual de enfermarias. 

“Temos acompanhado desde o ano passado o sucateamento do Hupe e a redução dos serviços. Tudo isso é totalmente contra a função educacional e social do hospital, que é um dos mais conceituados no país no atendimento de alta complexidade e na formação de novos profissionais de saúde”, declarou.

A estudante de medicina e representante do Centro Acadêmico Sir Alexander Fleming (Casaf) Elisabeth Soares disse que a situação está insustentável. Ela contou que as aulas práticas têm sido trocadas por teóricas, devido à falta de pacientes e de serviços abertos.

“Hoje o Hupe não trabalha com um terço de sua capacidade, e os estudantes e a população estão sendo diretamente afetados por isso. Toda a comunidade acadêmica tem sido prejudicada. Nosso principal cenário de prática é o Hospital Universitário Pedro Ernesto. Precisamos dele funcionando de maneira plena”, enfatizou.

O presidente do CREMERJ, Pablo Vazquez, reforçou que a crise pelo qual o Estado do Rio de Janeiro passa é uma afronta à democracia, que está totalmente ligada à saúde. “A Uerj tem que ser fortalecida. Ela é estratégica e fundamental para o Brasil. Vamos nos mobilizar para que essa realidade mude, pois vidas estão em risco e a qualidade do ensino também. O CREMERJ está à disposição do movimento para as medidas que precisarem ser tomadas”, afirmou Vazquez.

Em ofício enviado ao CREMERJ, o diretor do hospital, Edmar José dos Santos, informou que a falta de verbas pode acarretar a interrupção do Programa de Transplantes Renal, a suspensão do tratamento de radioterapia em pacientes oncológicos, a cessação do atendimento das neoplasias hematológicas e o cancelamento de todas as cirurgias eletivas. 

Uerj em crise

O reitor da Uerj, Ruy Garcia Marques, publicou uma carta nessa terça-feira, 10, afirmando que o descaso do governo do Estado está forçando o fechamento da universidade. No documento, ele declara que a Uerj está sendo sucateada e que há uma absoluta falta de visão estratégica por parte dos governantes. “Desde 2015, nós vimos diminuir a destinação de recursos para a manutenção da Uerj. Desprezar o ensino superior, a pós-graduação e a pesquisa é apostar na miséria, na violência e num futuro sem perspectivas positivas”, diz em um trecho.