06 / 03 / 2017
Atendimento de portadores de doenças vasculares é debatido
O CREMERJ participou nessa quinta-feira, 24, de uma reunião para debater propostas para melhorar e ampliar o atendimento aos portadores de doenças vasculares nos serviços públicos do Rio de Janeiro. Estiveram presentes representantes da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular do Rio de Janeiro (SBACV-RJ), do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), da Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro (DPRJ) e do Hospital Federal dos Servidores do Estado (HFSE).
 
O presidente da SBACV-RJ, Carlos Peixoto, apresentou um estudo feito pela sociedade, que aponta os principais problemas enfrentados pelos pacientes vasculares para ter assistência nos serviços públicos. A necessidade de aumento de ofertas de consultas ambulatoriais em cirurgia vascular na atenção primária foi um dos pontos identificados no levantamento.  
 
Outra deficiência encontrada foi quanto à atenção secundária, o que faz com que os pacientes se perpetuem na atenção primária, tendo suas doenças agravadas. Em relação ao Sistema de Regulação de Vagas (Sisreg), o estudo mostra a necessidade de treinamento dos reguladores médicos a respeito de rotinas e diretrizes técnicas de encaminhamento, com o objetivo de evitar filas mal planejadas.  
 
"A integração das esferas municipal, estadual e federal na assistência à saúde da população é fundamental para que haja melhor distribuição dos pacientes. Também é importante para definir os perfis com as principais ações e atuações de cada hospital, além de determinar quais unidades irão fazer esses atendimentos e em que tipo de enfermidade cada uma irá se especializar. É necessário mudar todo o processo que vai do diagnóstico ao tratamento", acrescentou Peixoto.
 
O coordenador da Comissão de Saúde Pública do CREMERJ, conselheiro Pablo Vazquez, reforçou que o desmonte dos Postos de Atendimento Médico (PAMs) prejudicou a assistência dos pacientes de doenças vasculares na atenção secundária.
 
"Os PAMs tinham um serviço de atendimento especializado que auxiliavam muito a direcionar o paciente para o momento certo de fazer a cirurgia. Esse acompanhamento fazia com que o paciente tivesse o procedimento no tempo ideal, evitando o agravamento da doença e, por exemplo, amputações", disse.  
 
Já o conselheiro do CREMERJ Carlos Enaldo de Araújo alertou para a carência de hospitais que fazem atendimento de alta complexidade na área vascular. Ele ainda informou que dos seis serviços de cirurgia vascular do Rio de Janeiro, três podem fechar por conta da falta de financiamento porque ainda não obtiveram o credenciamento para o serviço. Ele explicou que os hospitais federais do Andaraí, de Ipanema e Cardoso Fontes são fundamentais para reduzir as filas de espera.  
 
"A demora do credenciamento de muitos hospitais leva à péssima estatística em relação às doenças vasculares. Além disso, prejudica a continuidade do atendimento, pois as unidades não são remuneradas pelos procedimentos que elas realizam", disse o conselheiro.
 
A coordenadora do Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça de Tutela Coletiva de Defesa da Saúde, promotora Denise Vidal, e a defensora pública Thaísa Guerreiro informaram que já foi solicitado um levantamento sobre o funcionamento da rede de cuidados pactuada com os municípios, que existe desde 2013. Elas reforçaram a necessidade de atualizar essa linha para que o atendimento da atenção primária, secundária e terciária seja mais ágil.
 
Com base nos apontamentos, foi definido que será proposta ao governo federal a criação de uma Política Nacional de Atenção à Doença Vascular. No Rio de Janeiro será cobrado o funcionamento pleno da rede de cuidados em cirurgia vascular do Estado, a criação de um protocolo de atendimento para os serviços e o treinamento com os reguladores médicos do Sisreg. Nos próximos meses uma nova reunião será realizada para acompanhar as resoluções e definir os próximos passos.
 
Também compareceu à reunião o chefe do serviço de cirurgia vascular do Hospital Federal dos Servidores do Estado no Rio de Janeiro, Jackson Caiafa.