22 / 03 / 2017
População de Belford Roxo não tem atendimento de emergência
Médicos concursados da Prefeitura Municipal de Belford Roxo denunciaram ao CREMERJ, em 20 de março, o fechamento de unidades de emergência do município. 

A população está totalmente desassistida. Todas as três unidades de emergência do município estão fechadas – o Hospital Municipal Jorge Júlio Costa dos Santos (conhecido como Joca), a UPA Bom Pastor e a Unidade Mista Lote XV. O Hospital Infantil de Belford Roxo e a Maternidade de Belford Roxo, que são unidades privadas  conveniadas ao SUS também não estão prestando atendimento. 

O presidente do CREMERJ, Nelson Nahon, informou que irá denunciar o atual cenário para o Ministério Público.  

“É muito grave o que está acontecendo com a população de Belford Roxo. O Conselho entrará com uma representação no MP para tentar reverter essa situação”, afirma Nahon. 

Durante o encontro, os médicos apontaram a dificuldade em receber seus salários. Eles afirmaram, ainda, que os vencimentos não estão sendo pagos com regularidade desde agosto do ano passado, incluindo o 13º. 

Outro grande problema relatado é a dificuldade em fazer a emissão dos contracheques, que são acessados no site da prefeitura. O informe de rendimentos de 2016 também não foi liberado, impossibilitando que os médicos façam a sua declaração de imposto de renda. 

Segundo eles, o novo prefeito Waguinho Carneiro, ao assumir, se comprometeu a regularizar os pagamentos, o que não ocorreu.      

Os problemas persistem em 2017. Além do atraso, apenas alguns funcionários receberam os pagamentos, muitos, inclusive, com descontos, embora não saibam quais, já que não têm acesso ao contracheque.

Em 30 de janeiro, a prefeitura publicou no Diário Oficial do Município que os salários seriam recebidos até o quinto dia útil do mês subsequente e que os meses atrasados seriam pagos em 12 vezes, contudo, os valores não foram depositados. 

Também foi frisada a dificuldade para gozo de férias e licenças prêmio desde 2014. Existe, ainda, a ameaça da perda dos direitos adquiridos, como triênio, vale alimentação, vale transporte e plano de cargo, carreira e vencimentos. 

Um médico descreveu que a falta de estrutura prejudica o atendimento dos pacientes. 

“A população sofre com a precariedade das unidades do município. Há falta de insumos simples como seringas e não existe limpeza nos prédios. Também estamos com déficit de receituário azul, sem contar na grande dificuldade de conseguir encaminhar os pacientes para o Sistema de Regulação (Sisreg)”, salienta. 

Também estiveram presentes o diretor do CREMERJ Gil Simões, os conselheiros Pablo Vazquez e Sidnei Ferreira e o assessor jurídico do CRM Carlos Fiaux.