22 / 05 / 2017
HFB: fechamento da emergência é tema principal de assembleia
Médicos e demais profissionais de saúde do Hospital Federal de Bonsucesso (HFB) promoveram uma assembleia nessa segunda-feira, 22, no auditório da unidade. Representantes do CREMERJ e do Sindsprev também participaram do encontro. Na ocasião, foram apresentados os pontos críticos do HFB, com destaque para a emergência, que funciona desde 2010 de forma improvisada em contêineres. A situação é tão grave que a falta de recursos humanos, além de medicamentos e insumos, pode levar ao fechamento do serviço.

Segundo relatos dos profissionais que atuam na emergência, o setor vive seu pior momento. A equipe de enfermagem foi reduzida pela metade; o serviço está superlotado, com pacientes internados há mais de 30 dias; 23 médicos deixaram a emergência, o que vem resultando na ausência de clínico geral aos domingos e em alguns períodos às sextas e às segundas.

Por conta da gravidade, a assembleia deliberou que, se a situação não for solucionada até a próxima segunda-feira (29), a emergência terá que ser fechada. A direção da unidade, que compareceu à reunião, apoiou a decisão dos funcionários e informou que entregará o documento redigido pela chefia da emergência do HFB ao Departamento de Gestão Hospitalar (DGH) do Ministério da Saúde. O CREMERJ também irá convocar os representantes do DGH em busca de medidas, que, pelo menos, amenizem os problemas para evitar o fechamento. 

“A emergência do Hospital de Bonsucesso é fundamental para a população. O fechamento desse serviço representaria mais uma perda para a saúde, que está caótica. Infelizmente, a emergência funciona com muita dificuldade, não por causa dos profissionais que lutam para fazer o que podem, mas fica difícil competir com a falta de recursos humanos, de infraestrutura e de medicamentos e insumos. Trata-se claramente de um desmonte e o DGH terá que nos apresentar uma proposta. Vamos fazer o que for possível para impedir o fechamento e garantir à população um atendimento de qualidade”, disse o presidente do CREMERJ, Nelson Nahon.

Além da emergência, outras áreas do HFB vêm sendo afetadas. A ginecologia, na última semana, não conseguiu operar por falta de anestesista; o serviço de cirurgia de cabeça e pescoço não tem conseguido cumprir sua meta cirúrgica porque não há centro cirúrgico disponível; e a UTI neonatal e pediátrica, atualmente com 16 leitos, pode reduzir o número de vagas por estar com equipe reduzida. Outra preocupação apresentada é que metade da enfermagem que atua no centro cirúrgico tem contratos temporários, que não serão renovados.

Os diretores do CREMERJ Gil Simões e Serafim Borges também participaram da assembleia.