24 / 05 / 2017
Evento no HFB debate direitos dos pacientes com Parkinson
O Hospital Federal de Bonsucesso (HFB) sediou uma mesa redonda sobre os direitos dos pacientes com doença de Parkinson, que aconteceu nesta quarta-feira, 24, no auditório da unidade. O evento, organizado pela Associação Parkinson Carioca (APC), teve participação do CREMERJ e da assessoria jurídica da Universidade Castelo Branco. 

Na abertura, a presidente da APC, a fisioterapeuta Wilma Costa Souza, relatou que a instituição foi fundada em 2008 para dar suporte a pacientes com Parkinson que precisam ter acesso a medicamentos e a sessões de fisioterapia – únicos meios de tratar a doença de forma paliativa. Atualmente, são mais 80 pessoas assistidas pela associação, localizada no Centro Municipal de Reabilitação do Engenho de Dentro, que conta com fisioterapeutas, enfermeiros, fonoaudiólogos e professores de dança. 

“Todos atuam voluntariamente. Oferecemos apoio a quem precisa. Temos atendimento em grupo ou individual e funcionamos também como um centro de convivência, que é importante para uma pessoa que tem doença crônica. Com esse evento, esperamos ajudar as pessoas a lutarem pelos seus direitos, já que muitas desconhecem quais eles são”, disse.

Em sua participação, o responsável pela Câmara Técnica de Neurocirurgia, o conselheiro Makhoul Moussallem, lembrou que a doença de Parkinson não atinge apenas idosos, mas também os mais jovens. Já o presidente do CREMERJ, Nelson Nahon, criticou o descaso do governo em assistir essas pessoas e falou de ações que o Conselho fará para apoiar a causa.

“Para resolver o problema de medicamento e de tratamento de pacientes com Parkinson, é preciso cumprir a lei. Existe uma lei no Rio de Janeiro que obriga o Estado a colocar 12% do seu orçamento na Saúde, o que não acontece. Vamos redigir um parecer pela nossa Câmara Técnica de Neurocirurgia, exigindo o direito desses pacientes a medicamentos e tratamentos na rede pública. Outra orientação é que vocês busquem suporte da Defensoria Pública da União”, informou.

Durante o evento, alguns pacientes fizeram denúncias, por conta da falta de assistência no Sistema Único de Saúde (SUS) e de acesso a medicamentos. Isso porque, segundo uma normativa, apenas pacientes acima dos 50 anos têm direito a remédios gratuitos. Um dos participantes, por exemplo, relatou seu drama pela dificuldade de tratar o Parkinson, porque tem 47 anos e não consegue medicamentos gratuitos.

A advogada da Universidade Castelo Branco Manuela Martins orientou que os pacientes com Parkinson busquem informações sobre a Previdência e reforçou a sugestão do CREMERJ de os pacientes entrarem em contato com a Defensoria Pública da União.

Já o médico do HFB Moyses Rechtmann, que representou a unidade, colocou o hospital à disposição para dar continuidade ao movimento.