30 / 05 / 2017
Médicos debatem crise no Hospital do Andaraí em assembleia
Médicos do Hospital Federal do Andaraí se reuniram em assembleia, nesta terça-feira, 30, em defesa de uma assistência médica de qualidade para a população. O encontro, que aconteceu no auditório da unidade, teve a participação dos conselheiros do CREMERJ Pablo Vazquez, Serafim Borges, Márcia Rosa de Araujo, Erika Reis e Ricardo Bastos. O objetivo foi discutir os rumos do movimento após a entrega dos cargos de chefia, na última semana, por conta da crise no hospital, causada pela falta de insumos e de recursos humanos.

Na ocasião, membros do corpo clínico relataram o sucateamento da unidade. Além do déficit de materiais e de medicamentos, o Andaraí, há anos, tem trabalhado com contratos temporários, já que, desde 2005, nenhum concurso público foi feito para suprir a necessidade do hospital. O Ministério da Saúde, por sua vez, deixou de renovar os contratos temporários, alegando que eles se tratam de uma ilegalidade, mas em nenhum momento apresentou uma medida para resolver a situação.

Vários contratos temporários no HFA foram encerrados, o que levou ao fechamento da Cardiologia na última semana. Também devido a isso, a emergência, que funciona 24 horas, perdeu 73 profissionais. A ausência de renovação desses contratos pode ainda resultar no fechamento de outros serviços, como a Mastologia. A Pediatria e o Centro de Tratamento de Queimados (CTQ), por exemplo, passaram a funcionar parcialmente. O descaso com a situação de recursos humanos tem impactado diretamente na qualidade do atendimento à população, o que motivou as chefias a entregarem seus cargos.

Outro ponto crítico está relacionado à residência médica. Os residentes estão há três meses sem receber a bolsa-auxílio, além de terem o ensino prejudicado por conta do sucateamento.

O coordenador da Comissão de Saúde Pública do CREMERJ, conselheiro Pablo Vazquez, disse que o CREMERJ considera ético o movimento dos médicos do Andaraí. Ele acrescentou que, em reunião do Conselho com representantes do Departamento de Gestão Hospitalar (DGH) do Núcleo Estadual do Rio de Janeiro (Nerj), foi informado que os contratos temporários, realmente, não serão renovados e que não há previsão de concurso público. O DGH justificou que o pedido relacionado à carência de recursos humanos foi encaminhado ao Ministério da Saúde, em Brasília.

“O DGH não nos apresentou uma proposta de solução para a rede federal a curto prazo. A situação é dramática. O que vemos é que, de fato, há um planejamento de desmonte da rede federal. Precisamos nos unir e nos mobilizar contra isso. Nossa luta é para que a população tenha um atendimento de qualidade. Para isso, os médicos necessitam ter condições dignas de trabalho. O Andaraí tem serviços importantíssimos que não podem fechar. Se fechar, os pacientes ficarão desassistidos. Estamos falando de um hospital de referência”, destacou Pablo Vazquez.

Durante o encontro, os médicos decidiram promover uma assembleia geral, com a participação de todas as categorias, na próxima terça-feira, 6 de junho, às 10h, e de um ato público na porta principal do HFA no dia 13 de junho, às 10h.