13 / 06 / 2017
Médicos e funcionários promovem ato público no HFA
Médicos, funcionários e entidades da área de Saúde promoveram um ato público no Hospital Federal do Andaraí (HFA) nesta terça-feira, 13, como forma de protesto pelo sucateamento da unidade. Na ocasião, os participantes também realizaram um abraço simbólico à unidade. A manifestação fez parte de uma agenda de ações em defesa dos hospitais federais, conforme assembleia que teve participação do CREMERJ e de demais entidades.

O objetivo do ato foi denunciar o sucateamento da unidade, que vem sendo negligenciada pelo governo federal. Desde 2005 nenhum concurso público foi feito para suprir a necessidade do hospital, que tem funcionado com contratos temporários. O Ministério da Saúde, por sua vez, deixou de renová-los e não apresentou nenhuma medida para resolver a situação. 

Vários contratos temporários no HFA foram encerrados, o que levou ao fechamento da Cardiologia. Também devido a isso, a emergência, que funciona 24 horas, perdeu 73 profissionais. A ausência de renovação desses contratos pode ainda resultar no fechamento de outros serviços. O descaso com a situação de recursos humanos tem impactado diretamente na qualidade do atendimento à população, o que motivou as chefias a entregarem seus cargos no início deste mês.

“O Hospital do Andaraí está agonizando e infelizmente não é um caso isolado. Toda a rede está sendo prejudicada por conta das decisões do Ministério da Saúde, que está promovendo o desmonte dos hospitais federais no Rio de forma muito clara. Essas unidades são importantíssimas para o tratamento de alta e média complexidade, além de serem formadoras de profissionais. Elas não podem deixar de funcionar, pois as redes municipal e estadual não suportam a demanda”, disse o presidente do CREMERJ, Nelson Nahon. 

Outro fator agravante é a falta de medicamentos e insumos. Pacientes oncológicos, por exemplo, estão com tratamentos suspensos, pois não há quimioterápicos. Além disso, o hospital sofre com a ausência de manutenção predial e de equipamentos. Um incêndio na rede elétrica da emergência no mês passado fez com que o setor fechasse, deixando dezenas de pessoas sem atendimento de urgência. 

“É triste receber um paciente e não ter como dar a assistência completa a ele porque falta  tudo, até o mais básico. Estamos vendo nosso hospital ser esvaziado, sucateado, os médicos e residentes indo embora e os doentes sem ter para onde ir. Mas não vamos esmorecer. Vamos lutar para que essa realidade mude e o HFA volte a funcionar de maneira plena”, declarou o presidente do corpo clínico do HFA, Roberto Portes. 

No próximo dia 29, data de aniversário do HFA, uma nova manifestação será realizada na unidade. Os organizadores pretendem fazer um ato simbólico chamando a atenção para as autoridades descomprometidas com a saúde pública e com o Hospital do Andaraí.

 Os conselheiros Pablo Vazquez, Márcia Rosa de Araujo, José Ramon Blanco, também presidente da Associação Médica do Estado do Rio de Janeiro (Somerj), e Ricardo Bastos estiveram presentes no ato. Também participaram da manifestação representantes do Conselho Regional de Farmácia do Rio de Janeiro (CRF-RJ), do Conselho Regional de Enfermagem do Rio de Janeiro (Coren-RJ), do Sindicato dos Médicos do Rio de Janeiro (Sinmed-RJ) e da Associação de Médicos da Tijuca e Adjacências (Ameta).