23 / 06 / 2017
MS quer fechar Cirurgia Vascular do Hospital de Ipanema

 
Em mais um episódio do desmonte dos hospitais federais, em meio à crise da Saúde no Estado do Rio de Janeiro, o Ministério da Saúde (MS) determinou o fechamento do Serviço de Cirurgia Vascular do Hospital Federal de Ipanema (HFI). 

A medida foi comunicada pelos diretores da unidade ao chefe do serviço, Felipe Murad, nessa quinta-feira, 22, vinda do diretor do Departamento de Gestão Hospitalar (DGH), Marcos Vinícius Dias, que informou que esta era uma ordem direta do Ministério da Saúde, movida pelo corte de custos.

"Não me informaram quando, nem como isso acontecerá, muito menos para onde serão direcionados os médicos e os pacientes. Estamos todos apreensivos e frustrados com essa atitude arbitrária do MS", disse Murad. 

Atualmente, o serviço conta com seis médicos, sendo dois estatutários e quatro temporários. Também há uma pós-graduanda trabalhando em esquema de residência médica. A equipe faz 25 cirurgias por mês e mais de 150 consultas. 

"Poderíamos ter números bem maiores se tivéssemos melhor estrutura, porque enfrentamos condições adversas, com poucos recursos humanos, falta de materiais, de medicamentos e de estrutura há meses", contou o cirurgião.

O HFI é a única unidade pública que trata os casos de Síndrome do Desfiladeiro Cérvico Torácico, que pode levar à incapacidade funcional caso o paciente não tenha o tratamento. O serviço tem grande número de atendimento a pacientes com varizes utilizando o moderno e benéfico sistema de espuma de polidocanol, medicamento que tem sido, há três meses, comprado pelos próprios médicos para não deixar os doentes sem assistência.

"Sabemos que o restante da rede pública não tem estrutura para absorver a demanda que temos em Ipanema. O resultado dessa medida do Ministério da Saúde será economia por desassistência! Isso é um verdadeiro absurdo", frisa Murad.

Ele pediu auxílio ao CREMERJ para reverter a decisão do MS.

"Está muito claro o projeto do Ministério da Saúde de asfixiar os serviços para encerrá-los. Já acabaram com a Cirurgia Cardíaca do Hospital Federal do Andaraí, agora comunicam o fechamento da cirurgia vascular em Ipanema e assim seguem o desmonte das unidades, deixando os pacientes sem atendimento e os médicos sem postos de trabalho. O ministro justifica a relação custo benefício, sem pensar que se trata da vida das pessoas. O CREMERJ vai usar todas as vias possíveis para impedir esses crimes contra os direitos da população e contra a vida dos pacientes", salienta o presidente do CREMERJ, Nelson Nahon, que afirmou que o Conselho está comprometido na luta para evitar o fechamento do setor.