03 / 07 / 2017
Instituto Nacional de Cardiologia recebe Café com a Cocem
Com o objetivo principal de fortalecer as comissões de ética médica das unidades de saúde do Rio de Janeiro, a Coordenação das Comissões de Ética Médica (Cocem) do CREMERJ realizou mais um Café com a Cocem, dessa vez, no Instituto Nacional de Cardiologia (INC), nessa terça-feira, 27.
 
No encontro estiveram presentes o coordenador da Cocem e vice-presidente do CRM, Serafim Borges, e os diretores Erika Reis e José Ramon Blanco, que também preside a Associação Médica do Estado do Rio de Janeiro (Somerj). Representando o INC estiveram o presidente da Comissão de Ética da unidade, Fernando de Castro, e seus membros Sandra de Almeida, Stephan Lachtermacher e Marília Vasconcellos.
 
Serafim falou sobre programação de reuniões da Cocem com os representantes das unidades. “Nós iniciamos essa série de encontros com as comissões de ética dos hospitais devido à fase difícil que a saúde do Rio de Janeiro está atravessando. As instituições federais passam por graves problemas de recursos humanos, falta de insumos e de previsão de concurso público. Portanto, para estarmos unidos com os médicos, temos que estreitar essa relação”, disse Serafim, que aproveitou para questionar a ameaça de redução de 30% no número de cirurgias pediátricas no instituto.
 
Marília Vasconcellos alegou que o orçamento administrativo da unidade está estagnado há vários anos e, por isso, foi apresentado à atual administração as dificuldades em manter a mesma assistência. “O orçamento foi congelado, a demanda cresceu muito e o custo para cada atendimento aumentou exponencialmente”, explicou.
 
Também membro da Comissão de Ética, Stephan pontuou que a missão do INC é ser um hospital intervencionista, no entanto, um número significativo de pacientes atendidos na unidade não tem esse perfil. “Após os procedimentos, muitos doentes não são transferidos devido à falta de unidades de retaguarda. Nossos leitos acabam ocupados por mais tempo, impossibilitando a realização de novas cirurgias”, explicou.
 
Segundo Fernando de Castro, o INC apresenta problemas de recursos humanos, pois os médicos estão se aposentando ou solicitando exoneração. “Não sei como ficará a situação no futuro, mas o nosso maior déficit atualmente é na área de enfermagem, levando ao fechamento de leitos”, contou o médico.
 
A diretora do CRM Erika Reis também falou sobre as dificuldades nas unidades federais e a importância das comissões dentro dos hospitais.
 
"Entendemos que se não houver essa interação entre o CRM e as comissões de ética será ainda mais complicado lutar por melhorias. Com as informações que vocês nos trazem podemos agir em prol das unidades e dos médicos. Nós temos conseguido chegar até as autoridades, como o Ministério Público, Defensoria Pública da União e secretários de Saúde, mas temos muita batalha pela frente. O CRM está à disposição para a realização de palestras e qualquer ajuda que precisarem”, encerrou a diretora.