29 / 06 / 2017
50% dos pacientes com leucemia morrem por falta de assistência

O presidente do CREMERJ, Nelson Nahon, recebeu, em 28 de junho, hematologistas do Hemorio e do Instituto Nacional de Câncer (Inca), o diretor geral do Hemorio, Luiz Amorim e o presidente da Fundação Saúde, João Paulo Veloso, para discutir os problemas no atendimento a pacientes com leucemia. Segundo os médicos, metade dos pacientes adultos com leucemia aguda que chegam hoje para tratamento na rede pública do estado vão a óbito por falta de atendimento e insumos. Os profissionais indicam escassez de quimioterápicos e de equipamentos para exames. Esta foi a segunda reunião sobre o tema realizada no Conselho.

 

“Nós estamos nos mobilizando por causa dos pacientes. Estamos angustiados com o número de pacientes que não estão sendo atendidos corretamente. Os casos de leucemia estão sendo agravados por essa demora de atendimento”, disse a médica do Inca, Ingrid Arcuri.

 

Estima-se que, apenas na cidade do Rio de Janeiro, haja 229 novos casos de leucemia em pacientes adultos por ano. Embora o Hemorio tenha 45 leitos oncohematologicos e o Inca 12, o atendimento está cada dia mais precário.

 

“Hoje não conseguimos mais oferecer a qualidade de atendimento que oferecíamos antes. O paciente entra e fica esperando para ser tratado. Não temos coagulograma no Hemorio. Já precisamos realizar exames simples como um hemograma no Inca”, conta Tania Madeira, hematologista do Hemorio.

 

O diretor geral do Hemorio, Luiz Amorim, explica que ainda há muita carência na área e que a instituição hoje passa por dificuldades financeiras, decorrentes da atual crise na saúde do Estado:

 

“Há necessidade de mais 25 leitos de oncohematologia na região do grande Rio. Isso se levarmos em conta que todos os leitos que já temos estão disponíveis, e sabemos que não estão. O Hemorio está em uma situação financeira muito complicada. Cada dia é uma luta. Temos carência no fornecimento de material, de serviços e na manutenção predial. Os quimioterápicos não chegam a faltar, mas o nosso estoque não é nada confortável. Temos muitos problemas, mas acho que o maior atualmente é de laboratório. Faltam muitos itens e há muita burocracia para a compra.

 

Os representantes da Fundação Saúde, que realiza a gestão do Hemorio, alegaram que realmente há muitos trâmites legais para compras, que deixam o processo lento, mas esclareceram que fizeram uma compra emergencial de 500 materiais e 500 medicamentos que devem ser entregues nos próximos dias. Segundo eles, o Hemorio recebeu, desde janeiro, uma verba emergencial de R$ 360 mil. Sobre os quimioterápicos, a Fundação declara uma dificuldade de compra por conta da falta de fornecedores disponíveis:

 

“Tentamos comprar quimioterápicos desde dezembro. O que tem acontecido é que as licitações ficam desertas. Não há interesse das empresas em vender esses medicamentos no padrão de preço estipulado. Outra falta que tem impossibilitado transplantes é a de melfalano. Só uma empresa vende no Brasil e hoje estamos com falta no país inteiro. No momento, estamos puxando para a Fundação vários processos que eram da Secretaria Estadual de Saúde. Estamos em uma fase intermediária nessa passagem, mas estamos fazendo todo o possível para deixar as instituições abastecidas”, explicou o presidente da Fundação Saúde, João Paulo Veloso.