27 / 07 / 2017
Hospital de Ipanema recebe Café com a Cocem
A coordenação da Comissão de Ética Médica (Cocem) do CREMERJ promoveu mais um Café com a Cocem, nessa terça-feira, 25. Desta vez, o encontro aconteceu no Hospital Federal de Ipanema (HFI). Participaram do evento os membros da comissão de ética médica da unidade, o coordenador da Cocem e vice-presidente do CRM, Serafim Borges, e os conselheiros Erika Reis, Márcia Rosa de Araújo, Armindo Fernando da Costa e José Ramon Blanco, que também é presidente da Associação Médica do Estado do Rio de Janeiro (Somerj).
 
Serafim Borges abriu a reunião falando sobre o objetivo do encontro e destacou a aproximação entre as comissões de ética e o CREMERJ.
 
“O objetivo da nossa vinda aos hospitais é fortalecer as comissões de ética médica, que são um braço forte do Conselho nas unidades. Além disso, é uma forma do CRM conhecer a realidade de cada hospital e suas dificuldades éticas e de assistência à população”, explicou o vice-presidente do CRM.
 
Em seguida, a presidente da comissão de ética médica do HFI, Ana Zuccaro, deu um panorama sobre o funcionamento do hospital. Ela esclareceu que não há previsão de fechamento de serviços, mas sim uma proposta de readequação de serviços, entre eles o de cirurgia vascular.
 
Ana destacou o déficit de médicos como o principal problema da unidade. Ela explicou que há anos o Ipanema tem trabalhado com contratos temporários, porém, nos últimos meses, vários foram encerrados, sem previsão de reposição dos profissionais. Além disso, muitos médicos estão perto de se aposentar, o que pode agravar a situação e levar ao fechamento de serviços.
 
“Temos que garantir a manutenção dos contratos até que haja um concurso, uma carreira de Estado ou qualquer outra forma de se manter um vínculo de trabalho entre o Estado e os médicos. Se não recuperarmos os profissionais que perdemos vamos fechar o hospital”, alertou Ana.

Alice Buçard, também integrante da comissão de ética médica, chamou a atenção para a burocratização dos atendimentos causados pelo Sistema de Regulação (Sisreg). Ela contou que há vagas para cirurgias na dermatologia, por exemplo, mas os doentes não chegam. Outro problema é a impossibilidade de tratar o doente na unidade se ele apresentar uma patologia nova.
 
“Eu vivo uma crise ética por conta do Sisreg. Temos toda a estrutura para atender a diversos problemas cirúrgicos, mas diversos impedimentos são causados para que os doentes cheguem até aqui. E quando chegam muitos deles precisam voltar para os postos de saúde. Para mim é inconcebível que um paciente que está dentro da unidade tenha que dar início a todo um processo se ele pode ser cuidado no HFI”, desabafou.
 
Erika Reis ainda acrescentou que os problemas relatados pela comissão de ética médica do HIF acontecem também em toda a rede federal e têm sido tema de discussões e ações do CRM. Ela encerrou o encontro reforçando a importância do Café da Cocem para aproximação das comissões com o Conselho.