16 / 08 / 2017
CREMERJ participa de manifestação no Hospital de Bonsucesso

O presidente do CREMERJ, Nelson Nahon, e o conselheiro Pablo Vazquez estiveram nessa quarta-feira, 16, no ato público em defesa do Hospital Federal de Bonsucesso (HFB). A mobilização reuniu médicos, funcionários e entidades da área de Saúde, além de associações de pacientes. A manifestação, que fez parte de uma agenda de ações em defesa dos hospitais federais, interrompeu por alguns minutos uma das pistas da Avenida Brasil. 

Cerca de 100 pessoas participaram do ato, que teve como objetivo denunciar o sucateamento da unidade, que vem sendo negligenciada pelo governo federal. O déficit de recursos humanos é um dos principais problemas do HFB. Centenas de médicos foram demitidos após o fim dos contratos temporários com o Ministério da Saúde, que não repôs o quadro. A ausência de renovação das contratações tem resultado na redução de serviços e impactado o atendimento à população. 

A emergência é um dos setores mais afetados. No mês de junho, o serviço foi fechado por um final de semana por conta da falta de médicos. Mesmo funcionando 24 horas, somente metade de profissionais necessários integra as escalas de plantão. Nos últimos meses, 25 profissionais foram demitidos. A emergência do Hospital Federal de Bonsucesso é uma das maiores do Rio.

Além da carência de recursos humanos, a unidade sofre com a falta de insumos e muitos equipamentos estão sucateados. 

“Estamos vendo paulatinamente um desmonte de toda a unidade. Há uma diminuição de serviços com perda importante de atendimento e qualidade para os nossos usuários. A emergência e as filas para cirurgia estão judicializadas. Estamos sem recursos humanos para dar conta de todos os pacientes que estão na fila de espera. Queremos reverter este quadro. Queremos que o HFB volte a funcionar como a gente conheceu”, disse a presidente da comissão de ética médica do HFB, Sandra Pereira. 

O presidente da direção do corpo clínico, Baltazar Fernandes, destacou que esse é um dos momentos mais críticos da unidade desde quando começou a atuar no hospital como residente, em 1977. Ele ressaltou a importância do HFB para a formação médica e para o atendimento de alta complexidade. 

“Ainda acredito no serviço público de qualidade. As unidades federais são grandes formadores de mão de obra e de centros de excelência em casos complexos. Se estas unidades forem fechadas será uma grande perda para a população do Rio”, declarou.

Integrantes de associações de pacientes também participaram da manifestação. Roque Pereira da Silva, da Associação de Movimentos dos Renais Vivos e Transplantados do Estado do Rio de Janeiro (Amorvit-RJ), reiterou a necessidade da mobilização em prol do HFB. 

“Há 29 anos o meu transplante foi realizado no HFB. Minha vida, assim como de muitas outras pessoas, foi salva por este hospital. Não podemos deixar que ele seja fechado ou que serviços sejam reduzidos. Qualquer diminuição representará a perda de vidas e isso não podemos aceitar. Vamos continuar com as manifestações até o governo fazer alguma coisa”, enfatizou.  

O presidente do CREMERJ, Nelson Nahon, reforçou que os problemas encontrados no HFB acontecem em toda a rede federal do Estado e que as ações se tratam de um plano de desmonte destas unidades. Nahon ainda salientou a importância da união de todos os profissionais de Saúde e da população para a continuidade e manutenção dos hospitais. 

“O CREMERJ é contra a privatização e o fechamento de qualquer serviço. Ontem, o ministro da Saúde, em um debate promovido por um veículo de comunicação, deixou claro o interesse em diminuir o tamanho do Sistema Único de Saúde (SUS) e privatizar a Saúde. Vamos estar junto com todos os funcionários da Saúde  nesta luta contra o fechamento de serviços e redução de leitos do SUS”, finalizou. 

Também compareceu à manifestação o conselheiro Armindo Fernando Correia.