30 / 08 / 2017
Funcionários do INC fazem manifestação por melhorias

Cerca de 250 médicos e demais profissionais de saúde do Instituto Nacional de Cardiologia (INC) se reuniram nessa quarta-feira, 30, em frente à unidade em uma manifestação que pedia mais estabilidade administrativa e reivindicava recursos para os institutos federais. Nos últimos 18 meses, o INC já teve quatro diretores diferentes e essas trocas têm prejudicado o funcionamento da unidade e podem comprometer a linha de cuidado dos pacientes. Uma reclamação dos médicos é que o critério para escolha do novo diretor foi político e não técnico. O diretor anterior fazia parte do corpo clínico da unidade, mas o novo não.

O presidente do CREMERJ, Nelson Nahon, e a diretora Erika Reis estiveram presentes no protesto e criticaram a estratégia do Ministério da Saúde de desmonte dos hospitais federais.

"O INC é a principal referência do país para o tratamento e a criação de políticas na área de saúde cardiovascular. A escolha da direção deve ser baseada principalmente em critérios técnicos e não em uma nomeação política. O que tem acontecido no instituto é um reflexo da política de desmonte das unidades federais por parte do Ministério da Saúde. Temos que lutar contra isso!", disse Nelson Nahon.

No início do ano, os médicos do INC foram informados de que a unidade deveria reduzir o atendimento em 30% por conta de cortes orçamentários. No entanto, a demanda tem aumentado e estão sendo realizados até mais procedimentos que no ano passado, já que o INC é, hoje, a única unidade a atender alta complexidade em cardiologia no Estado. A ocupação dos 150 leitos de internação está perto dos 100% e já foram realizados sete transplantes cardíacos este ano. No ano passado, foram feitos cinco. Além dos problemas de financiamento, o que tem preocupado o corpo clínico é mesmo a instabilidade administrativa.

"Quando um novo diretor assume, mesmo que ele seja da unidade, precisa se inteirar da administração, montar a sua equipe, suas estratégias. O que está acontecendo é que um novo diretor entra, começa a fazer um bom trabalho e então é trocado. E sem transparência. Não nos é dado nenhum motivo para essas trocas. Já tivemos administrações fazendo mais com menos orçamento e que mesmo assim foram substituídas sem nenhuma explicação. Isso nunca aconteceu na história do INC. Essa instabilidade se reflete claramente na linha de cuidado e isso nos preocupa muito. A direção do INC não pode ser moeda de troca política", defendeu Bernardo Tura, médico pesquisador do Instituto.

Em assembleia no INC, nessa segunda-feira, 28, os profissionais de saúde convergiram para um pedido de anulação da nomeação do novo diretor, a criação de uma comissão para estabelecer critérios essenciais para o perfil do diretor e o envio das reivindicações ao ministro da Saúde. Na manifestação, os médicos solicitavam a assinatura de petição online que pede a anulação da nomeação. A petição já passou das mil assinaturas.