19 / 09 / 2017
Audiência pública na Alerj debate crise na saúde do Rio

O presidente do CREMERJ, Nelson Nahon, participou nessa segunda-feira, 18, de audiência pública na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) sobre a grave crise que atinge a saúde do Estado. A reunião recebeu representantes de conselhos de saúde, sindicatos, federações, sociedades, movimentos da Saúde e parlamentares estaduais e federais.

Durante a sessão, os presentes relataram os diversos problemas enfrentados pelas unidades estaduais, federais e municipais, além das dificuldades dos pacientes para ter acesso ao atendimento nessas redes. Também foram contadas as ações que os diversos grupos têm desenvolvido para amenizar a crise. Diversas propostas de ação foram apresentadas, entre elas: o fim das Organizações Sociais (OSs), a criação de um Plano de Cargos Carreiras e Salários, a regularização dos vencimentos que estão atrasados, o pagamento do 13º salário de 2016 e novos concursos públicos para a área.

O presidente da Comissão de Saúde da Alerj, deputado Fábio Silva, lembrou que nos últimos dois meses o CREMERJ e a Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro (DPRJ) visitaram 52 unidades de saúde no Estado e comprovaram a precariedade dos hospitais. "Principalmente nas unidades da Baixada Fluminense. Tem postos de saúde sendo fechados na região. Isso é um absurdo. É preciso que haja uma união entre Alerj, CREMERJ e Defensoria em busca de solução para os problemas apresentados", afirmou.

Entre os participantes, estava o médico Renato Santos, que representou o movimento Nenhum Serviço de Saúde a Menos, criado por profissionais das Clínicas da Família do município do Rio. Santos leu em plenário o manifesto produzido pelo movimento, direcionado a trabalhadores e usuários do Sistema Único de Saúde (SUS).

“Há tempos, temos observado um desmonte do SUS no Rio de Janeiro. Nos últimos anos, esse processo se acentuou, com fechamento de serviços, demissões de profissionais de saúde, corte de verbas e falta de materiais e medicamentos. Junto a isso, assédio moral a trabalhadores e precarização do trabalho, com desrespeito a direitos trabalhistas e contratos temporários. Nos cabe afirmar que nossa luta é para termos, na cidade onde vivemos, um sistema de saúde que seja público, gratuito, organizado, universalizado, integral e adequado à necessidade do conjunto da população, em suas especificidades”, dizia o documento.

A presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes - Regional Rio de Janeiro (SBD-RJ), Melanie Rodacki, expôs a situação dos diabéticos que precisam de medicamentos disponibilizados pelo SUS. Segundo ela, a lei estadual que determina que o Estado forneça gratuitamente insumos aos diabéticos não está sendo cumprida. Por conta disso, muitos pacientes estão tento seus tratamentos interrompidos ou realizados de maneira não recomendada.

“Muitos pacientes estão recorrendo ao Judiciário para conseguir a medicação. No entanto, essa medida também não tem dado resultado. Esse descaso tem deixado a vida de muitas pessoas em risco”, acrescentou.  

Para Nelson Nahon, a união de todas as entidades é fundamental para cobrar das autoridades uma mudança no cenário atual da saúde pública do Rio. “O que tem acontecido na saúde do Rio de Janeiro e de todo o Brasil é algo inaceitável. Não podemos permitir que a precarização e a privatização continuem a acontecer. Vamos reunir esforços para mudar este cenário por uma saúde de qualidade e para todos, conforme a Constituição determina”, acrescentou.