26 / 09 / 2017
Crise no Hospital Cardoso Fontes se agrava

O Colegiado dos Conselhos Profissionais de Saúde esteve nessa segunda-feira, 25, no Hospital Federal Cardoso Fontes (HFCF) para uma reunião com membros do corpo clínico, da comissão de ética e da direção técnica da unidade. O encontro teve como objetivo conhecer os problemas enfrentados pela unidade e deliberar ações conjuntas contra o desmonte do hospital.

O presidente do CREMERJ, Nelson Nahon, abriu a reunião falando sobre os motivos que levaram os conselhos a se unirem e as ações que o colegiado tem desenvolvido nos últimos meses. Ele reforçou a necessidade da união dos conselhos de saúde e do corpo clínico da unidade na luta pela manutenção dos serviços do HFCF, assim como melhores condições de trabalho para os profissionais.

“Temos ouvido muitos boatos sobre mudanças no perfil do HFCF, o que gera muita preocupação. O Cardoso Fontes desempenha um papel muito importante no atendimento de média e alta complexidade na Zona Oeste. Se seu modelo de atendimento for mudado, provocará desassistência à população da região. Sem contar que é menos um hospital funcionando diante de toda a crise na rede de saúde do Estado. Temos que unir forças para lutar por melhorias na unidade e não permitir aredução de serviços”, enfatizou Nahon.

Flávio Moutinho, diretor do corpo clínico, relatou que o déficit de recursos humanos é um dos principais problemas do Cardoso Fontes. Desde janeiro, diversos médicos foram demitidos após o fim dos contratos temporários com o Ministério da Saúde, que não repôs o quadro. E a situação pode se agravar ainda mais até o início do próximo ano, já que diversos contratos irão terminar.

Segundo a diretora técnica da unidade, Kátia Maria Berrini, a necessidade de contratação já foi sinalizada por meio de ofícios, além de reuniões com a administração Núcleo Estadual no Rio de Janeiro do Ministério da Saúde (Nerj). No entanto, nenhum posicionamento definitivo foi dado até o momento.

“Alguns serviços da unidade dependem totalmente dos temporários. Eles representam 40% da força de trabalho do nosso hospital. Já informamos diversas vezes ao Nerj sobre a possibilidade de fechamento da unidade se esses contratos não forem renovados, mas o diretor da entidade disse que não tem como resolver essa questão. Ele sempre alega que deliberar sobre contratação é uma atribuição do ministro e saímos de lá sem saber o que realmente pode acontecer”, contou Kátia Berrini.

No serviço de cardiologia, de oito profissionais, somente três permanecem fazendo atendimento. Na fisioterapia, dos 34 profissionais, 26 podem deixar a unidade até o início do ano que vem, se não houver renovação. Já a fonoaudiologia pode deixar de funcionar. Dos seis fonoaudiólogos, quatro são temporários e podem sair nos próximos meses.

A emergência está com o cenário ainda mais crítico. O serviço este ano perdeu dez médicos que atuavam na clínica médica e na cirurgia geral, por conta de aposentadoria. E a situação ainda pode piorar: a previsão é de perda de 16 médicos até março de 2017 e mais 40 profissionais, entre enfermeiros e técnicos de enfermagem, se os contratos não forem renovados.

“O Banco de Sangue corre o risco de fechar, por conta da falta de profissionais. Na manhã desta segunda-feira, o banco estava fechado. Essa suspensão impacta diretamente na realização das cirurgias”, acrescentou a diretora técnica da unidade.

Foi deliberado no encontro que o Colegiado dos Conselhos solicitará uma reunião com o diretor do Nerj/MS em conjunto com o corpo clínico do Hospital Federal Cardoso Fontes para debater os seguintes pontos: a manutenção da unidade como hospital geral, a renovação imediata dos contratos com os profissionais de saúde, a manutenção de todos os serviços e a realização de concurso público.

Além do CREMERJ, participaram da reunião o Conselho Regional de Fonoaudiologia (Crefono), o Conselho Regional de Odontologia do Rio de Janeiro (CRO-RJ), o Conselho Regional de Enfermagem do Rio de Janeiro (Coren-RJ), o Conselho Regional de Farmácia do Rio de Janeiro (CRF/RJ), o Conselho Regional de Técnicos em Radiologia do Rio de Janeiro (CRTR-RJ), Conselho Regional de Nutrição e a Federação Nacional dos Médicos (Fenam).