14 / 12 / 2017
CREMERJ se reúne com médicos do Hupe

O CREMERJ participou nessa quinta-feira, 14, de uma assembleia com membros do corpo clínico, professores e residentes do Hospital Universitário Pedro Ernesto (Hupe) para discutir os problemas da unidade ocasionados pelo atraso dos salários. Cerca de cem médicos participaram da reunião. O presidente do CRM, Nelson Nahon, e o diretor Renato Graça representaram o Conselho.

Em razão da falta de pagamentos, o hospital está com déficit de recursos humanos. Ainda não foram quitados metade do mês de setembro nem outubro e novembro inteiros de 2017, além do 13º do ano passado. Para garantir a segurança e a qualidade da assistência, no último dia 30, o Hupe suspendeu as internações e mantém ativos apenas 167 dos 250 leitos disponíveis.

Além da paralisação das internações, alguns serviços vêm reduzindo gradativamente o atendimento ambulatorial e as cirurgias eletivas. O diretor da unidade, Edmar Santos, ressaltou que todos os esforços estão sendo feitos para que ela não seja fechada.

“Há um ano convivemos com os atrasos de salários. Estamos todos esgotados emocionalmente, mas não podemos desistir. O Hupe não vai fechar, senão ele nunca mais reabre. O governo do Estado se comprometeu a pagar integralmente os salários entre 18 e 20 de dezembro. Também estaria previsto para os próximos dias o depósito da bolsa dos residentes, em atraso há dois meses. Temos que ter esperança de que isso realmente vai acontecer para retomarmos as atividades normais do hospital”, disse Edmar.

Renato Graça, formado pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro - à qual o Hupe é vinculado - e professor da Faculdade de Ciências Médicas da instituição, relatou que essa é a pior crise que ele já acompanhou na história da unidade. “Nunca vi um momento tão dramático. A nossa presença aqui é para dizer que não se pode perder a esperança. Não vamos deixar o hospital fechar”, declarou o diretor do CRM.

Já Nelson Nahon explicou que o CREMERJ tem ingressado com ações na justiça contra o Estado para amenizar o problema. Ele também informou que, na última terça-feira, 12, o CREMERJ, junto a outros conselhos de classe e entidades médicas, decretou estado de calamidade pública técnica na saúde do Rio. O objetivo foi respaldar os profissionais de saúde que estão sem condições adequadas de trabalho e de atendimento à população.

“Essa declaração protege os médicos. Do ponto de vista ético, o CREMERJ vai estar ao lado de vocês o tempo todo. Vocês são verdadeiros heróis por atenderem a população mesmo em condições inadequadas”, reforçou.

Corpo clínico, professores e residentes relataram dificuldades, como falta de estrutura e materiais. No entanto, todos foram unânimes ao afirmar que continuarão na luta para a manutenção do funcionamento do Hupe.